sábado, 19 de setembro de 2009

Mudança de Perspectiva


"Quem está ajudando ? Um amigo tem um problema. Você mostra generosidade, ouvindo e dando apoio ... Quem está fazendo um favor a quem?
Como um exemplo de nossa interligação, o Dalai Lama diz que quando alguém o presenteia com uma oportunidade para exercer alguma das seis perfeições (generosidade, virtude, paciência, esforço, meditação e sabedoria), na verdade, é você quem está recebendo ajuda no caminho para a iluminação.
Lembre-se disso da próxima vez que alguém testar a sua paciência até o limite. Talvez até um adversário possa se tornar seu melhor professor".
(Foto tirada no meu primeiro campeonato de parapente em Governador Valadares. Parapentes enroscando na primeira térmica da rampa esperando o início da prova).

Música pela janela ...

Enquanto lia um jornal, o repórter fotográfico Paulo Pinto percebeu que, na fiação dos postes de luz do lado de fora de sua casa, a posição dos vários pássaros parecia formar uma partitura. Eis sua surpresa, ao mandar para um amigo músico, que conseguiu traduzir a imagem em forma de música.

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Isso que é sensibilidade. Impressionante como somente os olhos mais evoluídos conseguem enxergar a experiência do divino na natureza e em pequenas coisas. Nestas horas podemos ter certeza de que existe um grande jardineiro cuidando do nosso jardim.

sábado, 12 de setembro de 2009

Cena típica carioca ... Salve mestre Joel Ferreira !

Benção cidade maravilhosa. Não é a toa que foi eleita a cidade mais alegre do mundo !
Músico joel ferreira, figura típica do arpoador, tocando Tom Jobin no Sax, ao pôr do sol no arpoador.
Pedra da Gávea e morro dois irmãos ao fundo ... Simplesmente demais ! Saudade da terrinha.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Permaneçam Famintos. Permaneçam Tolos ..." por Steve Jobs


Não me canso de ler este texto do Steve Jobs, fundador da Apple e na minha opinião, um dos empreendedores mais admiráveis do mundo.

"Sinto-me honrado de estar com vocês hoje na sua formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei. Verdade seja dita, isso é o mais próximo que eu cheguei de uma formatura de faculdade. Hoje eu quero contar pra vocês três histórias da minha vida. É isso. Nada de mais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos.
Eu abandonei a Universidade Reed depois de 6 meses, mas fiquei por perto por cerca de outros 18 meses antes de eu realmente ir embora. Por que eu saí?Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma universitária jovem e solteira, e ela decidiu me doar. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas formadas, então tudo foi arranjado para que eu fosse adotado assim que eu nascesse por um advogado e sua esposa. Só que na hora que eu apareci eles decidiram no último minuto que eles queriam mesmo era uma menina. Então meus pais, que eram os próximos da lista de espera, receberam um telefonema no meio da noite perguntando: “Nós temos um menino, vocês o querem?” Eles disseram: “Claro”. Minha mãe biológica descobriu mais tarde que minha mãe nunca se formou e que meu pai sequer completou o Ensino Médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só cedeu alguns meses mais tarde quando meus pais prometeram que um dia eu iria para a universidade. E 17 anos depois, eu fui. Mas ingenuamente eu escolhi uma universidade que era tão cara quanto Stanford, e todas as economias dos meus pais de classe média estavam sendo gastas na minha formação. Depois de seis meses, eu não conseguia ver valor naquilo. Eu não tinha a mínima idéia do que eu queria fazer da minha vida e menos ainda de como a faculdade iria me ajudar a descobrir. E aqui estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais economizaram a vida toda. Então eu decidi sair e confiar que tudo daria certo. Na época foi bem assustador, mas olhando agora eu vejo que foi uma das melhores decisões que eu já fiz. No minuto que eu saí eu pude parar de ir às aulas que não me interessavam, e começar a freqüentar aquelas que pareciam interessantes.
Não foi tudo um mar de rosas. Eu não tinha dormitório, então eu dormia no chão do quarto dos meus amigos, eu devolvia garrafas de coca por cinco centavos para comprar comida, e eu caminhava mais de 11 quilômetros pela cidade todo domingo de noite para conseguir uma boa refeição por semana no templo Hare Krishna. Eu adorava. E muitas das coisas em que eu esbarrei por seguir minha curiosidade e intuição acabaram sendo valiosíssimas mais tarde. Deixe me dar um exemplo:
A Universidade Reed na época oferecia talvez o melhor curso de caligrafia no país. No campus, cada pôster, cada marca em cada desenho, era magnificamente feita à mão. Como eu havia abandonado e não precisava mais ir às aulas normais, eu decidi ir ao curso para aprender a fazer aquilo. Eu aprendi sobre fontes serif e san serif, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, tudo sobre como criar uma ótima caligrafia. Era lindo, histórico e artisticamente sutil duma maneira que a ciência não pode capturar, e eu achei fascinante.
Nada disto tinha sequer uma esperança de ter qualquer aplicação prática na minha vida. Mas dez anos depois, quando nós estávamos desenhando o primeiro Macintosh, eu lembrei de tudo. E nós desenhamos tudo dentro do Mac. Foi o primeiro computador com bela tipografia. Se eu nunca tivesse assistido àquele curso na faculdade, o Mac jamais teria múltiplas fontes ou fontes proporcionalmente espaçadas. E como o Windows copiou tudo do Mac, provavelmente nenhum computador teria. Se eu nunca tivesse abandonado a faculdade, eu jamais teria entrado na aula de caligrafia, e computadores não teriam a maravilhosa tipografia que eles possuem. Claro que era impossível ligar os pontos adiante quando eu estava na universidade. Mas ficou muito claro olhando pra trás dez anos depois.
Com efeito, você não consegue ligar os pontos olhando pra frente; você só consegue ligá-los olhando pra trás. Então você tem que confiar que os pontos se ligarão algum dia no futuro. Você tem que confiar em algo – seu instinto, destino, vida, carma, o que for. Esta abordagem nunca me desapontou, e fez toda diferença na minha vida.
Minha segunda história é sobre amor e perda.
Eu tive sorte – eu descobri o que gostava de fazer logo cedo na vida. Steve Wozniak e eu fundamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha vinte anos. Nós trabalhamos duro, e em dez anos a Apple cresceu de apenas nós dois numa garagem para uma companhia de 2 bilhões de dólares com mais de 4000 funcionários. Nós havíamos lançado nossa melhor criação – o Macintosh – um ano antes, e eu recém havia feito 30 anos. E então eu fui demitido. Como você pode ser demitido da companhia que você fundou? Bem, como a Apple cresceu nós contratamos alguém que eu pensei ser muito talentoso para administrar a empresa comigo, e durante o primeiro ano as coisas funcionaram. Mas então nossas visões do futuro começaram a divergir e eventualmente nós nos desentendemos. Quando isso aconteceu, nosso Conselho Diretor ficou do lado dele. Então, aos 30 anos eu estava fora. E de forma bem pública. O que havia sido o foco da minha vida adulta inteira havia acabado, e foi devastador.
Eu realmente não sabia o que fazer por alguns meses. Eu senti que eu havia desapontado a geração anterior de empreendedores – que eu tinha deixado cair o bastão que havia sido passado pra mim. Eu me encontrei com David Packard e Bob Noyce e tentei pedir desculpas por ter estragado tudo. Eu era um fracasso amplamente divulgado, e até mesmo pensei em fugir da Vale do Silício. Mas algo lentamente começou a se mostrar pra mim – eu ainda adorava o que fazia. Os eventos na Apple não mudaram isso nem um pouquinho. Eu havia sido rejeitado, mas ainda estava apaixonado. Então eu decidi começar de novo.
Eu não vi isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter me acontecido. O peso de ser bem-sucedido foi substituído pela leveza de ser um principiante novamente, menos seguro sobre tudo. Libertou-me para entrar em um dos períodos mais criativos da minha vida.
Durante os cinco anos seguintes, eu fundei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar, e me apaixonei por uma incrível mulher que se tornaria minha esposa. A Pixar criou o primeiro filme de desenho animado totalmente feito em computador, Toy Story, e agora é o estúdio de animação mais bem-sucedido do mundo. Em uma memorável seqüência de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei pra Apple, e a tecnologia que nós desenvolvemos na NeXT está no coração do recente renascimento da Apple. E Laurene e eu temos uma família maravilhosa juntos.
Tenho certeza que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio de péssimo gosto, mas eu acho que o paciente precisava. Às vezes a vida te acerta na cabeça com um tijolo. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me manteve em pé foi gostar do que eu fazia. Você tem que encontrar o que você gosta. E isso é verdade tanto para o seu trabalho quanto para seus companheiros. Seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar verdadeiramente satisfeito é fazendo aquilo que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um ótimo trabalho é fazendo o que você ama fazer. Se você ainda não encontrou, continue procurando. Não se contente. Assim como com as coisas do coração, você saberá quando encontrar. E, como qualquer ótimo relacionamento, fica melhor e melhor com o passar dos anos. Então continue procurando e você vai encontrar. Não se contente.
Minha terceira história é sobre morte.
Quando eu tinha 17 anos, eu li uma frase que era algo assim: “Se você vive cada dia como se fosse o último, algum dia você vai estar certo.” Ela causou uma impressão em mim, e desde então, pelos últimos 33 anos, eu tenho olhando no espelho toda manhã e perguntado a mim mesmo: “Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu faria o que eu vou fazer hoje?” E sempre que a resposta tem sido “Não” por muitos dias seguidos, eu sei que eu preciso mudar alguma coisa.
Lembrar-me de que logo eu vou estar morto é a ferramenta mais importante que eu encontrei pra me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Porque quase tudo – todas as expectativas exteriores, todo o orgulho, todo o medo de passar vergonha ou falhar – todas essas coisas simplesmente ficam pequenas diante da morte, deixando apenas o que é realmente importante. Lembrando-se de que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço pra evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há motivo para não seguir seu coração.
Cerca de um ano atrás eu fui diagnosticado com câncer. Eu tive um exame às 7h30min da manhã, e ele claramente mostrou um tumor no meu pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos disseram-me que era quase que certamente um tipo incurável de câncer, e que eu não viveria mais que 3 ou 6 meses. Meu medico me aconselhou a ir pra casa e colocar meus assuntos em ordem, o que é o código médico para prepare-se para morrer. Isso significa tentar dizer pros seus filhos tudo o que você planejava dizer nos próximos dez anos em apenas alguns meses. Significa ter certeza que tudo está ajustado de maneira que seja o mais fácil possível para sua família. Significa dizer os seus adeuses.
Eu vivi com aquele diagnóstico durante o resto do dia. Mais tarde naquele mesmo dia eu fiz uma biópsia, onde eles enfiaram um endoscópio na minha goela, através do meu estomago e meus intestinos, colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha esposa, que estava lá, contou-me que quando os médicos viram as células debaixo de um microscópio, eles começaram a chorar, porque no fim das contas era um tipo muito raro de câncer pancreático que é curável através de cirurgia. Eu fiz a cirurgia e estou bem agora.
Isso foi a mais próximo que eu estive de encarar a morte, e espero que seja o mais próximo que eu chegue por mais algumas décadas. Tendo passado por isso, eu agora posso dizer isso pra vocês com um pouco mais de certeza do que quando a morte era apenas um conceito útil, mas puramente conceitual:
Ninguém quer morrer. Mesmo pessoas que querem ir pro céu não querem morrer pra chegar lá. E mesmo assim a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém jamais escapou. E é assim que tem que ser, porque a morte é provavelmente a melhor invenção da vida. É o agente causador de mudanças da vida. Ela elimina o velho para criar espaço pro novo. Agora o novo são vocês, mas não muito longe de agora, vocês gradualmente se tornarão o velho e serão eliminados. Sinto muito ser tão dramático, mas é a verdade.
Seu tempo é limitado, então não percam tempo vivendo a vida de outro. Não sejam aprisionados pelo dogma – que é viver com os resultados do pensamento de outras pessoas. Não deixe o barulho da opinião dos outros abafar sua voz interior. E mais importante, tenha a coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles de alguma forma já sabem o que você realmente quer se tornar. Tudo o mais é secundário.
Quando eu era novo, havia uma publicação incrível chamada The Whole Earth Catalog (O Catálogo Inteiro da Terra), que era uma das bíblias da minha geração. Ela foi criada por um sujeito chamado Stewart Brand não muito longe daqui em Menlo Park, e ele a trouxe à vida com seu toque poético. Era o final dos anos 60, antes dos computadores pessoais e seus editores de texto e impressoras, então ela era toda feita com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como um Google formato de papel de jornal, 35 anos antes do Google aparecer: era idealístico, e cheio de ferramentas legais e grandes conceitos.
Stewart e seu time publicaram varias edições do The Whole Earth Catalog, e quando chegou a hora, eles fizeram a edição final. Foi no meio dos anos setenta, e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa da edição final havia uma fotografia de uma estrada de interior de manhã cedo, do tipo que você encontra trilhando se for aventureiro o suficiente. Nela estavam as palavras: “Permaneça faminto. Permaneça tolo.” Era a mensagem de adeus deles. Permaneça faminto. Permaneça tolo. E eu sempre desejei isso pra mim. E agora, que vocês se formaram, eu desejo isso pra vocês.
Permaneçam famintos. Permaneçam tolos".
Muito obrigado.

A felicidade que anda por aí ...



"Dizem que a vida é curta, mas não é verdade.
A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades. E essa tal felicidade anda por aí, disfarçada, como uma criança tranqüila brincando de esconde-esconde.
Infelizmente às vezes não percebemos isso, e passamos a vida inteira colecionando nãos: a viagem que não fizemos, o presente que não demos, a festa que não fomos, o amor que não vivemos, o perfume que não sentimos.
A vida é mais emocionante quando se é ator e não espectador, quando se é piloto e não passageiro, pássaro e não paisagem, cavaleiro e não montaria . E como ela é feita de instantes, não pode ser medida em anos ou meses, mas em minutos e segundos.

Essa mensagem é um tributo ao tempo. Tanto aquele tempo que você soube aproveitar no passado, quanto aquele tempo que você não vai desperdiçar no futuro.

Porque a vida é agora. Não tenha medo do futuro, apenas lute e se esforce ao máximo para que ele seja do jeito que você sempre desejou.

A morte não é a maior perda da vida. A maior perda é o que morre dentro de nós enquanto vivemos".

Dalai Lama



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Missão divina no mar ...


Segunda ensolarada no Rio. Feriado de 7 de setembro. Praia vazia, fruto de um fim de semana de chuva, que não trouxe muita esperança aos cariocas. Aqueles que sairam de casa tiveram o privilégio de encontrar um céu azulado, temperatura agradável do inverno carioca, mar verde azulado ou azul esverdeado, não sei dizer ao certo. A verdade é que o dia estava lindo, um convite para um banho de sol.
Cheguei na barra por volta do 12:00, e decidi fazer um stand-up paddle. Separei a prancha de quase 10 pés (ou quase 3 metros) e o remo para uma travessia até as ilhas tijucas. Apesar da previsão de vento, o mar estava liso, condição perfeita para a remada.
Rumo ao mar, remei por quase 30 minutos, quando na metade do caminho, senti uma rajada de vento mais forte, que me desencorajou a seguir adiante. Se a previsão de vento se confirmasse, seria mais difícil voltar da ilha, ainda mais considerando que estava sozinho nesta travessia. Meia-volta, decidi aproar para a praia e aproveitei para curtir um pouco daquele visual maravilhoso.
Já na chegada próxima a arrebentação, vi 2 pessoas mais para dentro do mar, ainda na arrebentação. Com os braços levantados, e alguma dificuldade para nadar, pareciam pedir ajuda. Ainda longe, conjugando minha miopia com o reflexo do sol, por alguns instantes tive dúvida se realmente precisavam de ajuda. Mas o corpo deles não parecia boiar e sim afundar cada vez mais rapidamente. Algumas pessoas de pé na areia acompanhavam a cena. Não tive mais dúvidas, e rapidamente comecei a remada até eles.
Em poucos minutos cheguei primeiramente até a menina. Coloquei-a na prancha e certifiquei de que estava bem, fora o susto. Com os olhos esbugalhados e visivelmente cansada pedi que esperasse na prancha, e resolvi nadar até o rapaz. Mais algumas braçadas até ele, que estava próximo a arrebentação da série de ondas.
Quando cheguei, ele já estava quase afundando, e rapidamente puxei ele de volta a superfície para que retomasse ar. Depois de cospir bastante água, pedi que ele segurasse em meu ombro e voltei nadando até a prancha, fora da arrebentação, no outside.
Coloquei os 2 na parte de trás do stand-up e, depois de poucas palavras, comecei a remada para a areia. O mar não estava dos maiores (série de 1 a 1,5 metros), mas estávamos dentro de um canal que formava forte correnteza para alto-mar. Além disso, havia um banco de areia próximo a praia, que tornava as ondas mais cavadas, com mais força e pressão, difíceis de surfar.
Remei por alguns minutos e pedi ajuda deles para que ajudassem batendo o pé. Rebocar 2 pessoas no stand-up num mar com correnteza não foi tarefa das mais fáceis. Os 2 estavam visivelmente cansados e ainda esboçavam medo daquela situação. Ao aproximar da praia, percebi que teríamos uma dificuldade de descer as ondas e comecei a recomendação: "vamos tentar descer as ondas, segurem firme e não larguem a prancha sob hipótese alguma!". Lá veio a esperada.
O rapaz seguiu direitinho a orientação, apesar de rolar na onda, em poucos segundos estava no banco de areia na parte rasa. A menina caiu da prancha junto comigo. Percebi que ela começava a entrar em desespero, depois de alguns ondas na cabeça. Levantei novamente ela para respirar e tomar ar, e pedi que agarrasse meu ombro. Comecei a nadar até a praia e aproveitei o embalo de mais uma onda. Aos poucos chegamos na areia.
O rapaz, já fora da água deitou na areia claramente retomando as energias do grande susto. A menina ainda de olhos esbugalhados começou a chorar. Sua amiga na areia agradeceu e curiosamente vi um salva-vidas que me esperava sair da água e perguntou : "Seus amigos ? Passou um susto heim". Sinceramente, não entendi e fiquei perplexo com a pergunta.
As poucas pessoas na praia, de pé, me cumprimentaram e ensaiaram críticas ao salva-vidas. Na sequência, o rapaz veio me agradecer e disse: "obrigado, deus te mandou até mim, não sei nem como agradecer". Disse que não era necessário, mas que tomasse cuidado, o mar estava traiçoeiro.
Algumas poucas palavras trocadas e ali terminava nossa história.

Sem dúvida a sensação de quase afogamento no mar deveria ser marcante, mas a sensação de salvar a vida de uma pessoa também mexe com nossa cabeça. Depois do susto, pensei no significado daquilo tudo. Acredito que nosso dia-a-dia recebemos a cada instante mensagens espirituais, algumas que passam quase despercebidas, outras mensagens mais fortes.
A mensagem de afogamento na minha visão se assemelha muito ao momento do nascimento, em função da água, do choro, e do susto (neste caso, praticamente um renascimento). E para mim, aquela mensagem mais parecia uma missão divina. Certamente, eles esquecerão do meu rosto, mas jamais esquecerão daquele momento. E eu também.

Despedimos sem que ele soubesse meu nome ou que eu soubesse o deles. Tudo muito rápido, mas muito intenso.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Contrastes ...





Domingo, dia 30 de agosto de 2009. Quase 11:00 da manhã, na praia rasa, em búzios. A foto de cima mostra o "escritório" do Beto. O instrutor de kite e novo amigo que conheci neste dia. Um escritório improvisado no meio de uma praia praticamente deserta, mas com muito vento. Meu primeiro contato foi com sua esposa, Joad, uma menina simpática assim como Beto. Enquanto ele velejava de kite com seu pranchão, e aproveitava um pouco do vento que soprava, ela me ofereceu a estrutura do "clube" para eu utilizar, com barraca, cadeira ...

Resolvi encher o kite e me juntar ao Beto naquela manhã ensolarada tão especial. Ao encher o kite descobri uma das boias furadas, mas foi quando a Joad disse que chamaria o Beto para resolver o assunto. Insisti que não era necessário interromper seu velejo, quando ela disse: "que nada, ele não está fazendo nada demais mesmo".

Com a mesma simpatia, conheci o Beto, um sujeito tranquilo que parecia ter parado o seu relógio no tempo. Além da calma e tranquilidade relevadas na sua voz mansa, seu semblante não escondia a tranquilidade da vida que ele levava. Em poucos minutos de conversa, me confidenciou sua alegria de ter como profissão a sua paixão. Há 8 anos, vivia do esporte e sustentava 3 filhos. Em pouco tempo, me ajudou a trocar as boias do kite, enchemos a pipa e parti para o velejo. Um dia clásssico: céu azul, praia deserta, mar verde e algumas pequenas ondas que serviam como rampa para ensaiar alguns pequenos saltos (ainda o medo do joelho falhar) ...

Algumas horas depois, já com a "cabeça-feita", guardei o equipamento e me despedi do Beto e Joad. Pouco contato, mas a sensação de realização de fazer kite em um lugar tão especial. Mais uma vez agradeci a atenção sincera dos 2, com uma despedida não diferente da recepção que eu tive na minha chegada.


08 da manhã de segunda-feira. Dia 31 de agosto, meu avião acabava de pousar em São Paulo. De volta a rotina de trabalho semanal. Antes do avião estacionar por completo, as pessoas já levantaram se amontoandas pelo corredor do avião. A maioria de gravata, parecia mesmo um grande rebanho desorganizado. As pessoas apertadas num corredor curto, antes mesmo da porta abrir, do avião estacionar por completo e com as cadeiras vazias. "Pra que a pressa ?", pensei e me mantive sentado no mesmo lugar. talvez ninguém soubesse explicar ... Esperei todos saírem e calmamente me dirigi para a esteira de restituição das bagagens.

A verdade é que São Paulo já funciona assim. As pessoas correm de um lado para o outro, mas parece não terem mesmo um sentido para tal. Na fila para o taxi, mais de 50 pessoas esperando pacientemente o taxi. Entrei no taxi, após algum tempo de espera, uma discussão do motorista com um motoqueiro ... Não podemos negar a organização da cidade, mas a cidade parece uma panela de pressão prestes a explodir a qualquer momento.

É claro que toda vida, seja mais simples ou seja mais luxuosa, tem suas concessões. Mas na minha opinião, o verdadeiro "luxo" tem a ver em estar com sua família, interagir com a natureza, viver as noites e dias, "ser" mais do que "ter" ...

Parabéns Beto ! Pelo padrão de atendimento, respeito, educação que muitas empresas maiores não tem.

Parabéns por fazer o que ama e amar o que faz, e assim sustentar seus 3 filhos. Esse é sem dúvida o segredo de uma vida mais intensa, mais verdadeira, mais saudável e duradoura.