terça-feira, 25 de agosto de 2009

É preciso saber viver ...


Essa foto é o visual que temos da travessia de stand-up da barra atés as ilhas tijucas ... demais !

A seguir, sábias palavras do Pedro Bial na ocasião do velório do Bussunda, que fazem refletir o sentido de tudo e a maneira como levamos nossos dias.

"Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos.

Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada.Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena.Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam.

A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário,tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório,colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim?

E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco?

Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá,fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente.

De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.Qual é? Morrer é um chiste.Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.

Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides,sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talveznão conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.

Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok,hora de descansar em paz.

Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.

Só que esta não tem graça.

Por isso, perdoe sempre. Perdoe".

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Salve, mestre Zé Ramalho ! Música que está enlouquecendo Brasília ...

Salve, mestre Zé Ramalho, excelente protesto em forma de forró ! Muito apropriado para os últimos acontecimentos em relação ao "senador" Sarney. Realmente o governo Lula é uma piada, uma vergonha para todos nós. Essa música resgata um pouco da nossa dignidade, vamos divulgar.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Saudoso Pepe ... onde tudo começou.

Interessante vídeo do final da década de 80 e início dos anos 90 ... O cara que começou o vôo-livre no Brasil e colocou nosso país em evidência mundial com um título em uma época onde voar era realmente perigoso. Quem conheceu o cara, realmente diz muito bem do seu jeito zen e sereno. Um piloto que realmente voava pelo instinto, numa época onde não tinha previsão de meteorologia pela internet, equipamentos de variômetro, GPS e outros ... Mais do que merecido um pedacinho da praia com o seu nome. Voe alto pelas nuvens, Pepe, ao lado de outros amigos muito queridos, como LP, Borzino, Alexis, Dan, Parafina, Waltinho.
Amém.

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domingo, 16 de agosto de 2009

Viajando de trike de Atibaia a Ubatuba ...

Simplesmente demais ! Viagem de Trike (asa-delta motorizada) decolando de atibaia e voando por cima de ubatuba. Tem meio de transporte melhor ? Demais o vídeo, especialmente a cor do mar com os golfinhos pulando e a sombra do trike na água. Sempre achei que Ubatuba foi um erro da cartografia, deveria ficar mesmo no estado do Rio ... ;-)



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Plásticos 2 ...

Mais um vídeo sobre o impressionante e maléfico mundo dos plásticos ...

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Plásticos ... Precisamos evitá-los.

Matéria muito bem produzida pelo Fantástico sobre o efeito dos plásticos na nossa vida. Existe uma "ilha" de sujeira entre a Califórnia e o Havaí, com um tamanho maior do que São Paulo. Como consequência, desequilíbrio no ecossistema e em nossas vidas (indiretamente acabamos comendo o plástico através da ingestão dos alimentos marinhos ). Países na Europa adotaram como prática a venda de sacolas plásticas em supermercado, reduzindo de maneira eficiente sua produção. Enquanto os governantes no Brasil não o fazem, vamos fazer nossa parte: evitem sacolas plásticas no supermercados e dê preferência às sacolas ecológicas, mais práticas e menos agressoras ao ambiente por menos de R$ 5,00.

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Contagem regressiva ...

2 alegrias interrompidas ... Mas falta pouco.

Amanhã é o dia D e talvez minha liberação para retorno a todos os esportes.

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Sandboard, parapente ou kite ?

Vídeo de um festival de parapente que acontece anualmente na França, em Dune du Pyla, chamado de Wagas Festival.

Um lugar mágico com um dos melhores pilotos de acro do mundo, Charly Picolo. Uma mistura de sandboard com parapente e kite. Uma boa brincadeira pra quem mora do lado das dunas. Simplesmente demais !

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Gripe Suína ...

Imagem que anda circulando pela internet ...
A que ponto chegou o medo da gripe suína ...

O Homem Invisível

Ao subir a escada da empresa, uma cena me tomou particularmente a atenção: havia um homem sentado no corredor que passava praticamente despercebido aos olhos da maioria. Enquanto vários funcionários subiam ou desciam a mesma escada, entravam e saiam das salas de reuniões, as pessoas ignoravam a presença do segurança.

O desprezo era tamanho que o homem parecia estar incorporado ao ambiente. Quase um homem invisível, pensei. Ao passar por ele, disse "bom dia, tudo bem !?". Um sorriso se abriu no rosto fechado e retribuiu com a mesma intensidade: "tudo ótimo, bom trabalho".

Depois disso, reparei como existem outros "homens e mulheres invisíveis" pela empresa e também ao longo do nosso dia-a-dia: crianças no sinal, caixas do supermercado que na maioria das vezes nem lembramos de seus rostos e tantos outros.

Para agravar meu desespero, estão instalando no meu prédio um aparato típico dos edifícios de São Paulo. Pensei que meu prédio estaria imune, mas não durou muito tempo. Trata-se de praticamente uma jaula, onde para entrar no prédio, vc precisa ficar "preso" em 2 portões antes do porteiro liberar sua presença. Se já existia pouca interação no condomínio, parece que haverá menos ainda.

Nos acostumamos com tanta coisa, mas não devíamos.

Precisamos cuidar dos outros para que também não nos tornemos mais um "homem invisível".

Ps. tirei esta foto do celular, quando dirigia pela Santo Amaro. Interessante o ambulante politizado, que colocou a seguinte frase escrita em seus carregamentos: "é só uma marola ?". Quem sabe, com esta frase, ele deixe de ser mais um "homem invisível" para aqueles que passam ...

Transformar é preciso ... Efeito Borboleta

Recebi o desenho abaixo, feito a própria mão, e gostei bastante. Além de expressar admiração e homenagem a esta artista muito especial, borboleta tem a ver com transformação, e achei apropriado ao texto.



Esta história é figurinha conhecida, mas não custa repeti-la.

"Um dia, uma pequena abertura apareceu em um casulo. Um homem sentou-se e passou a observar a borboleta que, por várias horas, se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

Então, em certo momento, pareceu que ela parou de fazer qualquer progresso, parecia que ela tinha ido o mais longe que podia e não conseguia mais continuar nessa sua missão de deixar o seu casulo.

Então o homem deciciu ajudar a borboleta. Ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo.

A borboleta então saiu facilmente, mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas, atrofiadas.

O homem então continuou a observar porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo, que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu. Na verdade, a borboleta passou o resto de seus dias rastejando com um corpo murcho e as asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.

O que o homem, em sua gentileza, em sua vontade de ajudar, não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário para a borboleta passar através de sua pequena abertura, era o modo com que a natureza agia para que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de modo que ela estaria pronta para voar, uma vez que estivesse livre do casulo."

Moral da história: cada um deve quebrar seu próprio casulo. Os obstáculos fazem parte do processo de crescimento, aprendizado e evolução. Para lançar vôo é preciso desprender esforço, energia vital. A ciência já comprovou (com a experiência da história de cima e outras) a importância de um mínimo de stress (saudável) como forma de alto desempenho. Ela compara 2 tipos de stress: eustress e distress. O primeiro é um stress saudável, o mínimo recomendado para te movimentar e impulsionar adiante. O segundo é um stress exagerado, o stress ruim, em excesso (distress), que gera uma adrenalina ruim e cortisol. O stress em demasia faz mal, mas a ausência dele também é prejudicial. Por isso, devemos cultivar sempre o eustress que garante os padrões mínimos para a atividade humana, assim como o stress saudável da borboleta necessário para a abertura do casulo.

Bom vôo a todos e quebrem seu próprio casulo !

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Dia internacional da insatisfação do cliente



Hoje estava participando de um grande evento da indústria em que trabalho. Tudo ia muito bem e de repente tive uma visão estranha. Uma sensação de deja-vu esquisita, como se já tivesse vivido aquilo. Lembrei que todos os anos acontecia o evento, pensei. Mas lembrei também do símbolo máximo que aquilo tudo representava: frase feitas e gente que parecia muito importante com uma gravata pendurada no pescoço. Tirando o propósito (muito bem explorado por sinal) de reunir todo o setor, além de discutir tendências e desafios da indústria, o estereótipo parecia um grande circo bem organizado. Isso me trouxe uma reflexão maior de qual o sentido disso tudo.

Todos os dias pareciam iguais. As pessoas correndo de um lado para o outro. Prazos e prioridades. A pressa para cumprir a agenda das reuniões que não se revela na mesma pressa para beber água ou escovar os dentes. Cuidamos da empresa, mas não cuidamos de nós mesmos nem de nossas famílias. Negligenciamos a saúde em almoços de 15 minutos, engolindo sanduiches fast-food em prol de salários, bônus e status.

A fila para o taxi em congonhas parece uma grande rebanho ordenado pela chegada de cada carro. O elevador cheio onde um olhar nos olhos parece quase proibido. Melhor olhar para o chão, relógio, celular, teto ou acompanhar a marcação dos andares. Tudo com muita organização, mas com muito pouco sentido. Em uns, a gravata apertando o pescoço parece sufocar na garganta palavras tão curtas mas tão grandiosas, como "bom dia", "obrigado", "por favor". Aqueles que esboçam um gesto de maior intimidade e lançam um singelo "como vai?", ficam sem respostas. A pressa do dia-a-dia que engole nossa educação, elimina a sensibilidade às diferenças sociais e ignora qualquer emoção alheia, seja de dor ou alegria.

Seria injusto não reconhecer os prazeres que vida corporativa proporciona a executivos de grande indústrias, como viagens, restaurantes caros no fim de semana com a família, apartamentos e carros luxuosos, escolas de primeira linhas aos filhos e outros. Mas a verdade é que vivemos em uma referência circular que parece mesmo não fazer sentido. Buscamos dinheiro, mas temos pouco tempo para gasta-lo. Acumulamos fortuna, mas perdemos espiritualidade. Tudo em prol da eterna satisfação do cliente. Mas esquecemos que este mesmo cliente é feito de carne e osso. Este mesmo cliente somos nós próprios !

Quando vamos a um restaurante, vemos o garçom atordoado, correndo de um lado para outro, apressado em anotar o nosso pedido e ao mesmo tempo servir a mesa ao lado. Mas ignoramos a sua pressa, pois também temos a mesma pressa em almoçar para seguir a agenda de reuniões do dia. Quando pedimos uma pizza, o entregador tem menos de 30 minutos para entregá-la. Tudo gira em torno da satisfação do cliente.

Deveríamos instituir, pelo menos 1 vez ao ano, um novo feriado. Um feriado para cuidarmos da nossa família. Para cuidar da nossa alma, da nossa saúde, do nosso bem estar. O dia internacional da insatisfação do cliente. Um dia em que seria proibido se cobrar normas de atendimento. Um dia onde seria proibido multas do Procon. O vendedor de picolé na praia ficaria bebendo cerveja debaixo da barraca. O vendedor de cerveja por sua vez não estaria se preocupando em colocar gelo no isopor para saber se a cerveja está quente ou fria. O motorista de ônibus só iria fazer os trajetos desejados, se tivesse transito, ele iria tomar um café até o trânsito passar. O vendedor de coco só venderia o coco fechado, mas não teria a preocupação de abrir. O vendedor de biscoito globo só teria mate-leão. Um dia onde cada um iria cuidar de si, dos seus próprios interesses e de sua família.

Antes de julgarmos duramente um serviço, devemos lembrar da ironia da inversão de papéis que acontece em qualquer ecossistema econômico: em algum momento o nosso fornecedor será também nosso exigente cliente ... E quanto mais engessado julgarmos, mais severamente seremos avaliados.

Namastê, meus amigos.

E viva o dia internacional da insatisfação do cliente ! Eu já anotei na minha agenda !

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O aloha havaiano


Os havaianos dizem que Aloha não pode ser explicado. Para que você entenda o real significa disso que não é apenas uma palavra, é necessário sentir o Aloha.



No dicionário, Aloha tem dois significados principais. O primeiro define Aloha como um cumprimento. Ou seja, você pode dizer Aloha quando for falar ‘oi’ ou ‘tchau’. O segundo define Aloha como o verbo amar, adorar, e o substantivo amado, adorado. Ou seja, a palavra é usada sempre que se desejar expressar o amor.

Mais do que uma simples palavra, o Aloha é uma maneira de se viver o “Aloha Spirit”. Esse é um dos ensinamentos da cultura havaiana. As palavras em havaiano tem ‘mana’, que é uma influência espiritual.

A palavra Aloha vem de uma derivação de
A -AKAHAI, significa bondade,
L -LOKAHI, significa unidade,
O - OLU`OLU, significa agradável,
H - HA`AHA`A, significa humildade,
A - AHONUI, significa paciência.

O interessante é que o “Aloha Spirit” é tão importante que é uma lei, o “Aloha Spirit Law”.

No estatuto havaiano seção 5-7.5 a lei é reconhecida como a filosofia dos havaianos nativos. Então, da próxima vez que você disser Aloha, somente diga se realmente desejar tudo isso que a palavra significa.

As fotos a seguir são de uma havaiano, ex-surfista profissional, que hoje se dedica a fotografar a magia das ondas em uma camera que registra muitas fotos em apenas 1 segundo. Tive o privilégio de conhece-lo pessoalmente em um evento de Surf que aconteceu há 1 mês ... Abaixo uma pequena mostra de sua obra de arte.

ALOHA !





Robbie Madisons - Recorde Mundial de Salto

Incrível este vídeo ... O recorde do maior salto realizado em 03/jan/2009 pelo Robbie Madisons nos arcos do Triunfo. Esse cara já quebrou vários outros recordes, mas este vídeo realmente é incrível, e mostra a capacidade do ser humano de superação. Vale dizer que o "garoto" do vídeo apenas quebrou a mão. Ps. não tentem fazer ou repetir isso em suas casa ! ;-)

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terça-feira, 4 de agosto de 2009

A ajuda que vem do Céu ... XCeará.


Tá chegando ... De 21 a 29 de novembro, Ceará será palco da maior competição de parapente do mundo: o XCeará. Os melhores pilotos do mundo (50 no máximo por questões de logística de resgate e segurança) reunidos em Quixadá em busca da quebra de recorde mundial. Uma tradição que já se repete há mais de 10 anos, e em 2007, colocou o Brasil em destaque através do vôo de 461 Km. Isto mesmo, 3 pilotos brasileiros muito experientes e de incrível humildade - Cecéu, Frank e Rafa - quebraram o recorde mundial de parapente. Decolaram por volta de 07:30 da manhã de Quixadá-CE, cruzaram o Piauí e pousaram no Maranhão, por volta de 17:30, com 461 km percorridos em um único vôo de parapente, sem motor. Apenas aproveitando as térmicas do dia e fortes ventos do sertão.
O melhor vôo do mundo, com as melhores e mais extremas condições do planeta. "Surf de onda grande", como definiram analogamente. Para voar em Quixadá, tudo é muito grande e no limite: decolagem com rajadas de mais de 50km/h, térmicas fortes, pouso complicado.
A decolagem é um momento realmente crítico: enquanto 5 meninos seguram juntos o parapente aberto evitando que o piloto seja arrastado com as fortes rajadas, um experiente piloto local observa os sinais da natureza. Quando as árvores e o açude localizado na frente do pouso páram de balançar, significa que o vento vai dar uma diminuída. Nesta "breve respirada do vento", é o momento de decolar. "Pode decolar !", grita o piloto de apoio, numa rápida janela que algumas vezes não dura mais de 15 segundos.
O pouso antes das 15h também é crítico: térmicas que te levantam subitamente próximo ao chão comprometendo seu plano de pouso, e vento tão forte que às vezes faz você voar para trás.
Pra voar no Sertão não pode ter frescura: as caminhadas algumas vezes são longas após o pouso, debaixo de sol forte, ar seco, muita terra. As caronas algumas vezes são de jegue, moto ou quando mais luxuosas na boléia do caminhão de algum generoso motorista.
Por outro lado, uma comunidade extremamente acolhedora. Muitas histórias de gente diferente que subitamente cruza o seu caminho. Um encontro rápido, nem por isso menos enriquecedor ou intenso. Gente simples, mas com enorme riqueza espiritual. Gente de verdade, de carne e osso. Que não se importa com sua origem, com o cargo que você ocupa, com sua conta no banco ou com qual é o tamanho da sua TV de Plasma. Gente simples, mas de verdade e por inteiro.

Minha primeira experiência em Quixadá (em 2010 gostaria de ir novamente!) , foi em 2007. Um ano especial, o ano do recorde, com pilotos muito experientes de todos os continentes do planeta e uma condição extremamente especial. Além de treinar inglês e espanhol, fiz alguns bons vôos de 40 Km e pouco mais de 100 km ... mas nada demais para o sertão. Primeira vez naquela rampa, por isso estava muito conservador em relação a um vôo tão forte (se é que existe conservador em quixadá).
Entretanto, além do vôo, o que mais me chamou a atenção foi a interação com a comunidade local. Em função dos fortes ventos do sertão, era necessário voar com lastro (peso) para tornar a vela mais estável. Mas ao invés de utilizarmos água ou areia como o lastro, substituímos por alimentos como arroz, feijão, milho (fotos abaixo). Assim ao pousar pelo sertão do lado das casas, distribuímos os alimentos para os moradores da região. Além de voar no campeonato, um serviço social e tanto. Realização em dose dupla: um vôo incomparável e um imenso sorriso sincero após o pouso de gente muito grata pela doação do alimento.
Confesso que algumas dessas experiências provocaram pra mim uma intensa reflexão. Em um dos vôos, pousei do lado de uma casa muito simples, pensei que estivesse até abandonada. De repente saiu um homem, já velhinho, com a perna imobilizada com alguns parafusos e placas externas expostas, e apoiado em um cabo de vassoura (sua bengala improvisada). Trocamos algumas frase, e eu disfarçando todo aquele aparato tecnológico (rádio de comunicação, câmera fotográfica etc). Confesso que me senti mal, envergonhado com tanta desigualdade que gritava na frente dos meus olhos. Perguntei sobre seu acidente, e ele me confidenciou que não tinha dinheiro para remédios ou tratamento (o atendimento público demoraria alguns meses para a próxima consulta). Separei a única nota que tinha de R$ 50 e dei para ele, que quase não acreditou. Na despedida, o coração bateu mais forte e acabei deixando também um boné e o casaco que eu usava em vôo (no sertão, a noite, faz frio).
Na caminhada para a rodovia mais próxima, já sem dinheiro, pensei em como eu faria para comprar uma água ou pagar um resgate até a pousada. Felizmente, a natureza me retribuiu a gentileza, e um motoqueiro (confesso que foi tão rápido que nem vi de que lado ele veio) parou e me ofereceu carona. Com a dificuldade de equilibrar o parapente na moto, ainda paramos na casa de um do seus amigos para tomar uma água. Obrigado ao amigo que nem sequer sabia meu nome. Mas que ofereceu uma ajuda que muita gente da cidade grande, mais instruída e com pós-graduação nas melhores faculdades, não faria. Tem uma frase que diz: "o valor das coisas não está no tempo que ela duram , mas na intensidade com que acontecem. Por isso ,existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
Já de noite, na pousada, ao contar a história para o amigo e piloto Peixe, ele brincou para que eu não levasse muitas roupas sob o risco de voltar pelado com um coração tão mole. Valeu a pena a realização de contribuir um pouco.
Outras boas amizades e lembranças foram com Elder, Direi, Sidirlei, Wagner e outros. Os meninos de juatama que tanto ajudavam na decolagem, não só tecnicamente, mas emocionalmente a dominar o medo. Cadastrei o primeiro email deles para que pudessem se comunicar com os pilotos de toda parte do mundo. Felizmente até hoje nos comunicamos. Em dezembro, recebi uma ligação muito especial deles para desejar um feliz natal, através de fila que fizeram no orelhão. Como eles queriam aprender a voar, e eu estava trocando de vela, resolvi presentea-los com meu equipamento completo (vela, seleta, reserva etc). Um instrutor local se disponibilizou a ajudá-los e hoje eles já estão voando em Quixadá. Meninos da juatama, uma estória muito bonita de superação.
Praticamente não tirei muitas fotos em vôo (um pouco de medo de largar os comandos do parapente nestas condições), mas não economizei flash para registrar estes novos amigos.

Parabéns ao Chico Santos, organizador deste evento tão nobre e reconhecido internacionalmente em terras tupiniquim.

Ps. o Xceará deste ano ainda está sem patrocínio. É uma excelente oportunidade para empresas de Telecomunicações, em especial celulares ou fabricantes. Um rally dos sertão diferente, que se faz voando e onde a presença de um GPS, celular e outras tecnologias são recursos obrigatórios. Pouco investimento para um excelente retorno de visibilidade a marca ! Recomendo.



sábado, 1 de agosto de 2009

Voando de terno e gravata para o trabalho ...

"A aventura pode ser louca, mas o aventureiro jamais"


16 de outubro de 2006. No caminho da casa para o trabalho por volta de 08:30 da manhã, já dava para perceber que era um dia especial. Logo cedo, o céu com nuvens formadas, a temperatura subindo rapidamente. No dia anterior chuva pela tarde e muito frio a noite, o que aumentava a probabilidade de um vôo especial. Isso sempre acontece durante a semana, pensei, no caminho para o trabalho.

Pra quem não sabe, um dos vôos clássicos que existem no Rio, é a travessia de São Conrado até o Cristo Redentor. É um vôo relativamente curto, de apenas 14 km (ida e volta), mas muito raro, que acontece em geral nas saídas de frente fria combinadas com entrada do vento sul. Apesar de curto, um vôo técnico que exige passar voando por cima da favela da Rocinha, das Paineras até a glória de chegar a estátua do Cristo Redentor, símbolo máximo da cidade maravilhosa.

Me conformei que era dia de semana, e logo cedo, entrei na rotina das reuniões de trabalho. Na ocasião, trabalhava em um escritório na praia de botafogo, e por volta de 11:30, ao olhar pela janela em direção ao Cristo Redentor pude avistar algumas asas-deltas e parapentes que sobrevoavam a estátua. O sangue começou a subir pelo corpo, e a vontade de me juntar a natureza naquele dia tão especial começava a soar como um convite. Não pensei 2 vezes: decidi trocar meu almoço por um vôo clássico daquele dia.

Rapidamente liguei para o ramal do amigo e piloto Daniel, que trabalhava junto na mesma empresa, e também não titubeou com o convite. Em poucos minutos, estávamos no carro a caminho de São Conrado.

Chegando na rampa às 12:30, percebemos que a idéia não tinha sido apenas nossa, pois estava lotada de pilotos aguardando ansiosamente o momento da decolagem. O horário era apertado (tinha uma reunião às 14h) e o traje não era dos mais adequados. "Que roupa é esta ?", me perguntaram ao me ver de terno e gravata para decolar. "Vôo executivo de primeira classe", brinquei já me equipando para decolar.



Em poucos minutos, engatei na primeira termal e fiquei alto, com o visual da rampa abaixo e São Conrado inteiro praticamente nos meus pés. Realmente o visual do Rio é impressionante: o céu azul, um "mar verde" da Floresta da Tijuca que cobre as montanhas e o visual do mar azul meio esverdeado parecendo uma combinação dos dois. Rapidamente cruzei para o morro do Crockaine, que fica ao lado da rocinha. Pacientemente esperei em vôo a próxima termal que me desse altura para olhar o Cristo. Alguns minutos afundando e subindo lentamente, até que veio a esperada térmica. O variômetro marcando4 a 5 m/s, comecei a subir rápido ... Lá estava eu, em cima da Rocinha, avistando a estátua ... Não pensei 2 vezes: cruzei a rocinha, com altura e segurança, passei avistando os fios de alta tensão que alimentam a maior favela urbana do mundo.



O dia ensolarado, sem sombra, permitiu que, em uma reta só, fosse voando até as Paineras, cruzando o Jardim Botânico e Lagoa, até chegar nas antenas do Sumaré. Mais uma termal, me levando a mais de 1500m do nível do mar, e finalmente estava voando em cima do Cristo Redentor. De terno e gravata, em pleno horário de almoço, de um dia da semana. Obrigado Deus ! Que dia de sonho !



O relógio já marcava bem mais de 13h, e meu tempo livre estava se esgotando até a reunião das 14h. Estava muito alto e de cima podia avistar com folga a praia de botafogo e o prédio da empresa em que trabalhava. Não queria atrasar, já que a reunião era com muitas pessoas ... Resolvi manter o vôo até a praia de botafogo ao invés de retornar para São Conrado. O horário estava apertado. Estava voando uma vela de iniciante, DHV 1 como chamamos, e por isso mais segura, só que com menor performance (consequentemente, a velocidade é menor e com maior taxa de afundamento). Assim, ao cruzar pela estátua, iniciei a travessia da praia de botafogo, no início bem alto, mas em poucos minutos, fui perdendo altura significativa. Olhei para trás e a estátua estava ficando mais alta do que eu, sinal de que eu estava afundando mais rápido do que eu gostaria. Agora, já não tenho altura para voltar, pensei. A única alternativa era seguir reto para a praia de Botafogo.



Lento e devagar passei por cima do prédio da Intelig e Coca-Cola, e estava em cima do aterro. O parapente começou a afundar muito, e a preocupação de não chegar até a praia começava a se formar na minha cabeça. Fazer um pouso forçado em cima do aterro não ia ser legal. Concentração, puxei o acelerador e pressionei o máximo que pude para ganhar mais velocidade.

Efeito de rotor e turbulência dos prédios, o parapente começou a apresentar alguns colapsos e fechamentos, todos controláveis. Por segurança, toquei o reserva como forma de treinar uma eventual necessidade de abrí-lo. Nestas horas, o mais importante é manter o sangue-frio, a cabeça focada no presente para dominar a situação. Meu celular que estava guardado na mochila de trás, começou a tocar por várias vezes. Alguém me ligava insistentemente, pensei "deve ser a reunião". Aos poucos, o susto foi passando e a faixa de areia da praia de botafogo começou a aparecer embaixo de mim ... Ufa, pensei. Fiz mais 1 curva para alinhar contra o vento e fazer a aproximação final para o pouso.



Enfim, os pés tocaram o chão. Com segurança e um sorriso indescritível. Algumas crianças que jogavam bola vieram correndo até mim, curiosos e perguntaram de aque avião eu vim. Expliquei que não era paraquedas, tinha decolando da Pedra Bonita em São Conrado. "São Conrado ?", eles riram, quase duvidando ... Olhei no relógio e faltavam 5 minutos para a reunião ... Avisei o Daniel onde eu estava, e ele quase sem acreditar, chegou rapidamente com o carro no local. Guardei o equipamento na mala do carro, e voltamos para a empresa. O cabelo ainda meio em pé, suado, mas a tempo da reunião. Ao chegar no trabalho, me falaram: "Edu, estávamos te ligando no celular ... Tinha um maluco voando aqui na frente, deve ser amigo seu ...". "É, quem sabe", pensei, com um sorriso disfarçando no rosto antes de revelar e mostrar as fotos.


Nada melhor do que um vôo inesquecível, fiquei trabalhando durante 1 semana, anestesiado pela euforia desta travessia e visual maravilhoso.
Alguns aprendizados:
- O sapato já tava velhinho mesmo ... e concordo que meia branca não é das mais adequadas.
- A rota São Conrado-Praia de Botafogo é uma rota proibida, e fui punido com 1 mês de suspensão por ter invadido este espaço aéreo. Mas com vento sul, os aviões fazem a aproximação por outra rota. Mesmo tendo sido uma boa experiência de vôo, não deve ser feita nem repetida.

Eis "o cara" da luta da humanidade contra o cancer


Não podia deixar de publicar o email que recebi ontem de um grande amigo. Apesar da humildade, um grande homem de coração incomparável e que certamente deixará ainda muito mais contribuições para a ciência e humanidade. Ele foi o autor de um artigo e recente descoberta depois de longo período de estudo e experimentos madrugada adentro. Um passo que pode ser o início da descoberta da cura do câncer. Parabéns Karanzão, pela inteligência e especial dedicação em prol de uma causa muito nobre !! Como no nosso país, infelizmente o que gera notícia é casamento de ex-BBB, aqui neste blog, você tem espaço ilimitado !! Abaixo tradução para leigos do relato científico nas suas próprias palavras.

"O artigo fala de como as celulas saem do estagio de dormencia para um estado ativo de proliferacao. Normalmente, nossas celulas do organismo não se dividem mais – do contrario, cresceriamos eternamente.

Entao, quando o organismo precisa, as celulas tem que sair do estagio de dormencia e comecar a se dividir pra dar origem a novas celulas. Isso acontece quando pegamos sol e descascamos, quando nossos cabelos caem (nem sempre!) ou quando enchemos o pote e matamos nossas celulas do figado... Ou seja, basicamente uma regeneracao!

Quando nossas celulas saem do estagio de dormencia, elas precisam organizar uma complexa rede de proteinas para ajudar na duplicacao do DNA. Ou seja, se uma celula vai se multiplicar em duas, ela obrigatoriamente precisa duplicar o seu DNA antes, certo? Pois bem! Nos mostramos os mecanismos necessarios para a ativacao dessas proteinas envolvidas na duplicacao do DNA quando a celula decide sair da dormencia.
O bacana é que isso pode ter implicacao direta pro cancer. Quando nossas celulas perdem o controle do estagio de dormencia e começam a se dividir loucamente (levando ao cancer), esses mecanismos podem estar desregulados. Entender o processo em celulas normais pode ajudar a entender o processo desregulado de celulas tumorais..."

Cada vôo, uma emoção e uma lembrança !


Compartilhando o relato de uma amiga muito especial que tive o privilégio de levar para um vôo-duplo. As pessoas esquecerão do que você disse, esquecerão do que fez, mas jamais esquecerão do que você as fez sentir ... Por isso, temos a missão de transformar o mundo a cada segundo, nas pequenas relações do dia-a-dia. A seguir fotos e memórias de alguns vôos que tive o privilégio de desfrutar ao lado de ótimos amigos.

Enviada em: terça-feira, 29 de abril de 2008 19:14
De Tamara

"Queria dividir um pouquinho da experiência que vivi no domingo nesta cidade maravilhosa, graças ao nosso amigo mais que maravilhoso.

Sabe aquela história de "quando foi a última vez que vc fez uma coisa pela primeira vez?" ou "quando realmente vc teve coragem de fazer uma coisa que vc sempre quis muito mas que sempre teve muito medo?" Gente... eu voei!!! Virei passarinho! Nossa... estou anestesiada até agora... e quero continuar me sentindo assim por um bom tempo ...
No domingo, o Duduzão me levou para fazer um vôo duplo de parapente com ele. Foi a sensação mais louca, incrível e deliciosa que tive em minha vida... no começo, não sabia se chorava de emoção, ou se gargalhava, ou se gritava...não sabia se me sentia pequenininha ou muito muito muito grande... e no meio do vôo eu senti uma paz... tão grande, tão grande... parece que fui invadida por uma super dose de silêncio... de um silêncio bom... do silêncio que parte da grandeza e beleza daquele lugar maravilhoso, do sentir aquele arzinho gelado das alturas, do poder de ver a cidade com olhos de passarinho, do pertencer à imensidão do céu.

Quem nunca vôou assim, tem que voar... que vontade de dividir aquilo tudo que eu estava sentindo com todo mundo!!! Foi incrível!

Quando pousamos, o Dudu perguntou se estava tudo bem... e sabe quando vc fica mudo? Perdi as palavras... abracei ele e chorei mais um mooooooonte... Duduzão, meu amigo-irmão querido, obrigada! Obrigada! Obrigada... nunca terei como agradecer esse presente tão lindo que me deu".
Tamarinha, você merece !
Hugão, parceiro de brasília e dos bolos de banana ! Coração do tamanho do mundo.



Vôo com meu primo irmão. Obrigado pela companhia !

Seu tarcísio, figura de santa rita e pai de uma amiga. Obrigado pela serenidade e calma contagiantes !



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De volta às origens do Surf ... StandUp Paddle !

Pra quem quer saber como é a sensação de surfar uma onda com uma prancha de stand-up paddle, bom vídeo a seguir produzido em Maui, Hawai ... Descobri esse esporte impossibilitado de surfar por conta de minha recuperação pro joelho. No Rio, costumamos fazer travessia até a ilha na barra. êeee, brinquedinho bão.


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